AYV?

AVY?

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Fluxo 3

Esta é uma tentativa de fluxo que sequer foi uma tentativa de fluxo. Ela é na verdade, como as outras, um texto metalinguístico que tem como tema minha dificuldade de escrever. Não que eu não tenha facilidade, mas também tenho dificuldade, e de nada adianta exaltar minhas qualidades, logo prefiro esclarecer a mim mesmo meus defeitos.
Como os outros textos, me despeço, mas não com um adeus, o fluxo deve voltar em sua forma originalmente proposta enquanto esses textos frustrados acabam por aqui.

FLUXO 3 -

Afloram-me à mente pensamentos diversos que possam, talvez, trazer luz a meus desejos. Não será fácil para mim, reproduzi-los em palavras, provavelmente isso sequer será possível! Um estado de letargia me domina enquanto cada sensação me provoca o mais profundo prazer, inclusive, após um tempo de digitação, ela própria me produz grande prazer. Mas não me parece que a escrita prosseguirá por muito mais tempo, por outro lado creio que com essa encheção de linguiça me tornei mais capaz de continuar seguindo em frente com meu texto sem nexo. Ah! Claro que tem nexo, são pensamentos até bem ordenados, mas ainda assim imaturos demais para a escrita, ainda mais que essa escrita trate apenas dos pensamentos que ocorrem num momento, este. Não tenho foco algum neste momento, penso apenas no que estou fazendo, que no caso é a escrita, que está sendo feita agora com uma mão, enquanto outra segura uma grande raquete elétrica para matar mosquitos. Ok, devo concordar que me distanciei por algum tempo do assunto “escrita”. No entanto este não deixa de ser um texto metalinguístico. Isso é o que ele mais é. Aaaah… esse texto está me cansando, penso em me retirar, é, vou sim!

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Fluxo 2

Tentativa 100% falha. Quando eu faço isso só consigo pensar no que estou fazendo e não me vem nada!

-FLUXO 2

O desafio é escrever, comece com algumas palavras e veja o que sai. Talvez se surpreenda com a forma como seus pensamentos se desenvolvem durante esse exercício. Talvez eles sejam mais coerentes do que se pode esperar de uma forma espontânea e imediata de escrita. Mas não sinto que haja algo realmente interessante em minha mente agora, estou bastante alienado. Não sei por que… não me falta inspiração. Ou será que falta? Talvez… i’ve become comfortably numb téunenenéumnééum Que dramática perspectiva desse meu ser sem impulso, sem músculo, sem vontade… onde está? A minha vontade? Somente vontade pode trazer inspiração, e medo. Do insucesso. Vou psicografar agora que minhas palavras parecem mesmo não fazer mais sentido… eu sou fraco, não por que não tenho vontade.. isso nem é verdade. Mas por que não posso me abster de minha consciência e permitir que meu eu-interior produza por si só? Isso é assim tão difícil? Puta que pariu… eu sou um merda… não tem nada que preste na minha cabeça agora, nenhum pensamento minimamente complexo. Simplesmente não tenho nada a acrescentar nesse momento… nem para mim mesmo… eu sou um bosta. Adeus.

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Fluxo 1

Certa vez meu caro amigo John me contou de uma prática que gostava de fazer, a de deixar a escrita fluir sem que necessariamente haja sentido em nada do que se diz, mas dar total liberdade à melodia e ao ritmo das palavras. Eu, interessado pelo exercício e por seus benefícios para a alma de artista, fiz algumas tentativas. Porém devo dizer que não passaram de tentativas! Sou mais travado em meu ego racional e linear do que gosto de saber… No entanto, não faço mistério, e coloco logo abaixo uma de minha falhas tentativas, que me pareceu publicável o bastante.

- FLUXO 1

Pavilhão deserto, máscaras no vento sólido de águas velhas. Sabem o que? Eu mesmo não posso dizer. A transformação simbólica da empresa d’alma se esbanja e desdobra pela face da terra. O que sobra é a dúvida da terra encarnada, dos mortos enterrados e das traças venenosas. Que fantasia permeia a mente desajuizada do pobre escritor? Se não a força última e desconhecida do anonimato. Sabe o que? Perco palavras pelas fáceis, e simplesmente não tenho ritmo, minha mente é preocupada e desconcentrada… Não dá certo, preciso melhorar. Deixar fluir o que não penso, mas está lá. Saiam criaturas bestas de minha cabeça. Não as quero aprisionadas, sempre livres!! Saiam criaturas, bestas, dinossauros extintos. Foda-se essa merda que os reprimem! Perco o foco por correções gramaticais! Aliás, sou concentrado ou desconcentrado demais, acho que simplesmente não sou capaz de escolher no que me concentro. Desisto dessa peregrinação inútil, a distância é grande demais. Adeus.

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Minha arte

Meus sentimentos mais sombrios e violentos se transformam em arte para não se transformarem em ódio e depressão. Meus mais belos sentimentos nunca viram arte, pois antes se transformam em carinho e alegria, que distribuo às pessoas que amo. E talvez assim eles até se transformem também em uma forma de arte, para poucos. Para lembrar que minha arte eu faço por mim, e pelos que amo, e não pela minha imagem. Por que se fosse assim, sequer se poderia chamar arte.

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Divagações acerca do conhecimento

Todo conhecimento é possivelmente falso. Diria que todo conhecimento é de fato falso considerando a total falta de sentido na existência, mas podendo afirmar que é tudo relativo, volto ao “possivelmente falso”. Entenda-se que com o termo “conhecimento” quero expressar na realidade aquelas coisas que o ser humano acredita saber. São ideias, proposições, analogias, que têm por função elucidar a realidade ao indivíduo e torná-lo ativo sobre ela. De forma geral, entenda “conhecimento”, para a leitura correta deste texto, como qualquer afirmação.

Para começar temos a noção de que a realidade é algo exterior a nós, e graças a nossas ferramentas, o corpo e a fala, podemos compreendê-la e com ela interagir. Percebam que o que acabo de dizer é um exemplo do que chamei “conhecimento”. É possivelmente falso, não? Estamos certos de que sejam nossas ferramentas o corpo, que nos permite ver, ouvir e sentir, e nossa linguagem, que nos permite recordar, analisar e comunicar. Até aí, tudo bem. Como eu poderia dizer que isso é falso sem cair no loop existencialista? Mas e quanto à realidade ser exterior a nós? Essa é uma questão que não tem como não cair no loop existencialista, portanto antes de afirmar apenas isso, disse: “temos a noção”. Ou seja, notamos que a realidade das coisas físicas e de seus elos abstratos (sentimentais, conceituais, intelectuais…) independe da nossa ação ou contemplação. Mas será? Afinal, não acreditamos apenas que ao sair de um recinto suas paredes continuam lá por também acreditar que ao retornar lá as encontraremos? O mesmo pode nos acontecer uma vez num sonho, mas o que nos faz acreditar na realidade exterior é que não importa quantas vezes regressemos a um cômodo, encontraremos sempre as mesmas paredes. Algo assim, tão firme, que se comprove 100% das vezes, temos por questão de sobrevivência como conhecimento. Se não pudéssemos afirmar que com certeza o mundo continua no mesmo lugar, negligenciaríamos a vida por desespero, pois viveríamos no caos de um pesadelo sem despertar. No entanto nosso conhecimento de uma realidade exterior tem apenas utilidade prática e não se pode afirmar absoluto, como a verdadeira certeza de que nós, ao pensar, existimos.

Tomemos então como base de qualquer pensamento essa certeza: A existência. Ela é tão certa quanto a não-existência, mas essa para nós não tem utilidade.  Conhecemos a existência, mas a partir daí, todo conhecimento não é mais do que crença. Nada mais é certo, mas acreditamos na validade de muitas afirmações por razões práticas, outras por razões mais profundas, ou superficiais. Todo conhecimento talvez devesse ser reflexo de algo perceptível, mas mesmo aquilo que dizemos ser impossível perceber, pode ser para muitos a maior certeza que têm na vida. Percebemos que o “verdadeiro” e o “certo” costumam ser tão relativos quanto o “conhecimento”. Toda coesão vem das infindáveis e cíclicas relações que as coisas têm, e em proporções absolutas eu diria que há perfeito equilíbrio, porém para a vida humana é preciso simplificar.

Qualquer tentativa de simplificação de qualquer coisa é artificial, criamos ordem onde achávamos não haver nenhuma. Atribuímos às coisas valores, as categorizamos, e então as submetemos e relacionamos umas as outras. Nossa realidade é muito mais do que o que percebemos sensorialmente, é também a soma de todo o complexo de símbolos, conceitos, associações e generalizações que fazemos. Para nós, homens modernos, a realidade é antes de tudo um esqueleto invisível, que se articula e se mantém como estrutura sólida através das ações e relações de seus indivíduos constituintes.

Em outras palavras, “sociedade é realidade”. Mas o que é a sociedade, esse esqueleto maquinal gigantesco do qual somos apenas uma diminuta parte? As relações humanas são o que nos torna humanos, mas acho que seria exagero dizer que a sociedade, em sua noção geral, torna possível nossa humanidade. Pelo contrário, diria que nossas relações nos tornam humano, e a sociedade nos corrompe, nos afasta de nós mesmos e dos outros. O problema está na imposição feita a todo recém-nascido, de que ele é apenas parte e para isso deve estabelecer função. Como partes de uma sociedade, nós temos que jogar seu jogo, e dessa forma mantemos sua coesão. Mas não vemos isso com clareza. Dificilmente um ser social se dá conta do cenário geral onde está inserido. É capaz de agir da maneira esperada em cada situação diferente, e entender a finalidade de sua ação particular, mas não de entender o mecanismo que engloba tudo isso. A não ser com muita força de vontade e interesse antropológico.

Se você conseguir olhar para si, buscar o autoconhecimento, poderá perceber nas suas ações sociais, simples reflexo dos termos estabelecidos para a manutenção da ordem. Nós sabemos como agir socialmente, pois nos foi ensinado, nos é exigido, e está em tudo que é criação humana. Nossas ferramentas para conhecermos o mundo e afirmarmos nossa existência são nosso corpo e nossa língua, paradoxalmente são também nossas maiores limitações, pois não sentimos além do nosso corpo nem pensamos (*nosso ego não pensa) além das palavras. Isso é o que eu chamo de “condição humana”. Uma ferramenta é inata, natural, a outra é nossa criação. O ser humano é então não apenas produto da natureza, mas em parte, é também produto de si mesmo. Desse modo ele não dificilmente submete sua parte natural à sua própria criação e se torna oprimido por ela. E acredite, em uma sociedade, mesmo os opressores, aqueles que acreditam ter na mão todo o poder, são também oprimidos.

A condição humana é simples, a humanidade é que a complica e a torna muito mais sofrível. E por quê? Por que acreditamos saber ser verdadeiro e imutável tudo aquilo que nós próprios criamos. Acreditamos poder fazer sem injustiça julgamentos sobre as pessoas nos baseando em nossa própria cultura. E mesmo quando admitimos ser a sociedade mutável e admitimos nossos preconceitos, ainda assim achamos corretas nossas ações e afirmações preconceituosas, pois “assim é a sociedade”. Acreditamos hoje determos todo o conhecimento sobre o mundo natural, sobre nós mesmos e a sociedade, mas a verdade é que nossa ignorância é sempre proporcional ao nosso “conhecimento”. Quanto mais coisas acreditamos saber mais ignorantes somos. O imbecil é aquele que nunca tem dúvidas. Mas se todo conhecimento, exceto aquele sobre a própria existência, é apenas crença, então como sabemos no que acreditar ou não?

Eu procuro questionar qualquer afirmação até sua exaustão. Isso é para mim extremamente importante quando a afirmação é relativa à humanidade. Uma afirmação que posso tomar como exemplo, e que certamente não chocará a ninguém que ler isto é: “Homens e mulheres são essencialmente diferentes”. Essa é uma afirmação que afeta toda a humanidade, inclusive a mim mesmo. Não posso saber quem agora está lendo, e não o julgarei, mas posso imaginar que essa afirmação talvez soe natural para você, até mesmo óbvia. Agora vamos tentar analisá-la e questioná-la. Bem, em primeiro lugar o uso do termo “essencialmente” torna essa afirmação nada clara. Afinal, o que é “essência”? Fazendo a distinção entre homem e mulher, os dois gêneros sexuais do ser humano, devo imaginar então que todo ser humano tem uma essência e que essa essência é universal e bipolar, sendo feminina ou masculina dependendo de seu órgão sexual. Claro que se formos aplicar teoria sobre isso seria muito mais complicado, por isso estou imaginando apenas o raciocínio mais primário que pode ser feito sobre essa afirmação. Simplesmente por questão cultural, qualquer um que chegar a ler esse texto, entenderá com naturalidade a afirmação que foi feita. Entenderá que homens têm naturalmente um tipo de temperamento e capacidades diferentes das mulheres. Agora vamos passar para a seguinte questão, acreditar e reforçar esse pensamento pode ter que tipo de implicação sobre a vida das pessoas? Eu não tenho dúvidas de que acreditar nesse pensamento é a única coisa que o torna real. Por acreditarmos nesse pensamento fazemos algo extremamente contraditório, condicionamos nossas crianças a serem masculinas ou femininas dependendo de seu sexo. Se um garoto chora, ele logo é constrangido a não fazê-lo, pois “chorar é coisa de mulher”. Se uma menina brinca com carrinhos ou joga bola com garotos, logo ela é constrangida a não fazê-lo, pois “isso é coisa de menino”.

Então, vamos pensar: O que aconteceria se não condicionássemos nossas crianças dessa forma? O que acredito é que veríamos que cada indivíduo é único, e o gênero sexual não faria todos os homens diferentes de todas as mulheres por nada mais do que o corpo. E mesmo que houvesse diferenças mais profundas, como saberíamos se hoje condicionamos as nossas crianças? Teríamos que imaginar uma civilização que pudesse recomeçar, e não cometer esse mesmo erro. Se tratássemos cada criança como um indivíduo inteiramente único apesar de qualquer característica física e relevássemos qualquer identidade de grupo, permitiríamos a elas que se desenvolvessem de acordo com seus próprios impulsos. Se depois de criarmos essa geração, livre de distinção de sexo, e consequentemente de quaisquer problemas relacionados à sexualidade e identidade sexual, nós observássemos de maneira clara diferenças entre a maioria dos homens e a maioria das mulheres, que fossem além de suas diferentes capacidades físicas (que percebam também, são menos extensas do que se acredita), poderíamos então realmente fazer aquela afirmação. Mas no momento que a fizéssemos, estaríamos novamente fazendo imposições, dessa forma impedindo o desenvolvimento natural de todo e cada indivíduo.

Logo, essa é uma afirmação que eu nunca mais farei, pois mesmo que fosse verdadeira, ao ser feita se torna duvidosa, causa nas pessoas enorme constrangimento e as impede de livre ação. Qualquer afirmação que me surja à mente passa pela mesma provação. A pergunta é: “Ao fazer essa afirmação estou fazendo um julgamento generalizado sobre as pessoas que pode levá-las a se constrangerem de suas próprias vontades e de sua própria maneira de ser? E apesar disso, haveria algum valor prático nessa afirmação que não fosse criado pela própria discriminação expressa?”. E eu jamais acreditarei em afirmação alguma, de qualquer tipo, que não seja verdadeiramente funcional e possua argumentos não falaciosos e bons o bastante para respaldá-la. Mesmo que a crença em algo, duvidoso ou aparentemente claro, não possa causar efeitos negativos em uma primeira análise, eu nunca acredito em algo cegamente, tento manter a mente aberta para ver as coisas de forma diferente, quando e se me for possível ver.

Já me percebi diversas vezes contrariando velhos julgamentos, medos e preconceitos, que me causaram horror e espanto ao entender suas origens e a extensão de suas implicações. As próximas vezes que me der conta da minha ignorância, espero não me espantar mais tanto, pois sei o quanto posso estar errado, mesmo quando o que eu acredito saber parece tão certo.

A maior ignorância é aquela sobre a própria ignorância. E ignorantes somos todos, mas infeliz é aquele que ignora isso e se considera mais sábio e melhor que os outros. Sua paz é somente sustentada por seu orgulho, que para não se ferir é sempre inflado quando algo o ameaça, e é como um balão, capaz de crescer muitas vezes o próprio tamanho, mas não sem correr o risco de explodir em mil pedaços flácidos. Que paz seria essa, sempre a ponto de estourar e se converter em desespero? Verdadeira paz vem da humildade, pois a verdade também só pode vir da humildade, quando você está aberto a tudo e a todos, especialmente a si mesmo, livre de julgamentos e livre da necessidade de se auto-afirmar poderoso. Verdadeira paz vem quando você não mais se compara aos outros, nem procurando se sentir maior, nem conseguindo se sentir menor.

Ninguém pode ser melhor que ninguém, mas alguém pode ser um alguém melhor. Já terei me condenado se eu cobiçar ser melhor que meus semelhantes, pois minha conquista será nada mais que uma lamentável ilusão. Confesso que cheguei a essa conclusão de forma a afirmá-la com tanta segurança há pouco tempo, e pouco me tornei mais humilde, porém estou mais alerta com meus próprios atos, e como nunca antes, reconheço hoje minhas faltas, e procuro superá-las. E certamente devo dizer que esse texto pode ser bastante criticado, pois cometi nele alguns dos mesmos erros que apontei. Eu fiz também afirmações, que com direito muitos podem não concordar. Gostaria sempre que fosse possível estabelecer um diálogo, até que esses conflitos se resolvessem e pudéssemos todos descobrir juntos aquilo que não podemos saber, e aquilo que podemos. Porém enquanto isso, é difícil para mim não cometer esses erros. Ainda tenho que esboçar uma opinião parcial para abordar qualquer assunto de forma sincera, pois é verdade que tenho minhas próprias opiniões, influenciadas pelo meu próprio “conhecimento” e minhas experiências. E por que não posso ter sozinho total sabedoria. E inclusive percebam como me falta uma discussão e uma reflexão mais profunda sobre o significado de sabedoria e de conhecimento. Dessa forma como posso esperar que o que digo seja interpretado como eu interpreto? Não posso. Seria pertinente que eu procurasse estabelecer de forma clara o significado dessas palavras, enquanto não faço isso, se houverem dúvidas sobre o que eu quero dizer, posso muito bem tentar elucidar melhor a questão. Esse texto serve antes de tudo como um apoio para o desenvolvimento de meus próprios pensamentos, a publicação dele é uma tentativa de estabelecer um diálogo, o que significa que pretendo ser criticado, e quem tiver mais erros para apontar, melhor!

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Escuridão

Uma escuridão se aproxima – fluida como fumaça e pesada como chumbo. Penso em correr, mas todo horizonte que meus olhos alcançam se enegrece. Não há aonde ir, apenas a espera de uma fatalidade. Nunca entendi muito bem de física, mas agora acredito que tudo se resume a isso… Serei esmagado pela escuridão até não saber mais onde eu acabo e o chão começa? Ou bastaria uma boa puxada de ar e o inflar dos pulmões, para ser lançado para cima, através de toda a pesada matéria, mais uma vez em direção a luz? Que luz? Não apenas os horizontes se veem negros, no firmamento acima eu diria agora que certamente nunca houve dia. Tudo acaba agora! Para cima ou para baixo nunca saberei para onde estou indo e se estou indo a qualquer lugar, ou mesmo se há qualquer lugar a se chegar… Que a negra matéria agora cresça dentro de mim, e me faça parte dela.

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Tom Jobim e Vinícius de Moraes

Olha Maria

Olha, Maria
Eu bem te queria
Fazer uma presa
Da minha poesia

Mas hoje, Maria
Pra minha surpresa
Pra minha tristeza
Precisas partir

Parte, Maria
Que estás tão bonita
Que estás tão aflita
Pra me abandonar

Sinto, Maria
Que estás de visita
Teu corpo se agita
Querendo dançar

Parte, Maria
Que estás toda nua
Que a lua te chama
Que estás tão mulher

Arde, Maria
Na chama da lua
Maria, cigana
Maria, maré

Parte cantando
Maria fugindo
Contra a ventania
Brincando, dormindo

Num colo de serra
Num campo vazio
Num leito de rio
Nos braços do mar

Vai, alegria
Que a vida, Maria
Não passa de um dia
Não vou te prender

Corre, Maria
Que a vida não espera
É uma primavera
Não podes perder

Anda, Maria
Pois eu só teria
A minha agonia
Pra te oferecer

(letra de Chico e Vinícius)

Canção em Modo Menor

Porque cada manhã me traz
O mesmo sol sem resplendor
E o dia é só um dia a mais
E a noite é sempre a mesma dor
Porque o céu perdeu a cor
E agora em cinzas se desfaz

Porque eu já não posso mais
Sofrer a mágoa que sofri
Porque tudo que eu quero é paz
E a paz só pode vir de ti

Porque meu sonho se perdeu
E eu sempre fui um sonhador
Porque perdidos são meus ais
E foste para nunca mais

Oh, meu amor
Porque minha canção morreu
No apelo mais desolador
Porque a solidão sou eu
Ah, volta aos braços meus, amor

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente


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Meus olhos giram intensamente dentro de minha cabeça e estou forçado a me encarar e ao mundo em intervalos tão curtos que percebo ver os dois ao mesmo tempo, e para minha surpresa, não importa o que eu faça, são a mesma coisa…

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Escritinhos de 2007

Encontrados em um caderninho há muito abandonado, jaziam quase esquecidos, meus pequenos escritos:

Na escuridão de minhas pálpebras uma faca me rasga a consciência.

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Os segundos já andavam mais vagarosos quando o peso morto os quebrou o ponteiro e o velho se enterrou entre as 4 e 8 horas.

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Por baixo do meu crânio – uma penumbra cobre meu cérebro.

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Estou cercado por um ar pesado que flui entre meus dedos.

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Servir é o único objetivo razoável que tenho para viver, assim como um cão serve a seu dono.

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Sou uma casca dura e insensível e infinitamente meu próprio conteúdo.

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A única razão que o homem tem para viver pende entre suas pernas.

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Eu já fui essa pessoa, mas ela aprendeu, cresceu, e se tornou Eu.

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